20 abril 2026 em Saúde

Inseridas no território Tenondé Porã, as unidades Vera Poty e Krukutu respeitam tradições da população Guarani

Duas Unidades Básicas de Saúde Indígena localizadas na Terra Indígena Tenondé Porã, no extremo sul de São Paulo, operam com um modelo de atendimento que combina práticas da medicina tradicional Guarani com a atenção básica da rede pública. As unidades atendem cerca de 1.500 indígenas distribuídos em 17 aldeias na região de Parelheiros.

A UBSI Vera Poty, em funcionamento há 26 anos, e a UBSI Krukutu, que recentemente passou a atuar com estrutura completa da Estratégia Saúde da Família, são responsáveis pelo atendimento exclusivo da população indígena local. As equipes incluem profissionais e trabalhadores da própria comunidade, o que facilita a comunicação e o acompanhamento dos pacientes.

O território Tenondé Porã ocupa uma área de aproximadamente 16 mil hectares e reúne aldeias com diferentes perfis e distâncias em relação às unidades de saúde. Para alcançar comunidades mais isoladas, as equipes realizam visitas periódicas, levando consultas, acompanhamento de doenças crônicas e orientações de tratamento.

O agente de saúde indígena Germano da Silva Jexaka Mirim durante visita a aldeia – Foto: Divulgação/Secom

O atendimento considera aspectos culturais, linguísticos e espirituais. Parte dos cuidados é resolvido dentro das próprias aldeias, enquanto casos que exigem maior complexidade são encaminhados para outros serviços da rede pública.

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A população atendida é majoritariamente jovem. Na área da Vera Poty, há também moradores com mais de 100 anos, evidenciando a convivência entre diferentes gerações no território.

Na UBSI Krukutu, cerca de 90 famílias são acompanhadas. Entre os problemas mais frequentes estão doenças respiratórias, associadas ao clima e a práticas do cotidiano, como o uso de fumaça em ambientes fechados.

A implementação da unidade em Krukutu ocorreu após mobilização da comunidade, com o objetivo de reduzir deslocamentos para atendimentos básicos. A área de atuação inclui trechos de unidades de conservação ambiental e aldeias localizadas também no município de São Bernardo do Campo.

O modelo adotado pelas duas unidades indígenas articula atendimento clínico, presença territorial e práticas tradicionais, adaptando o serviço às características da população indígena atendida.