30 agosto 2026 em Saúde
UBS oferecem gratuitamente avaliação, acompanhamento em grupo, orientações e medicamentos para quem deseja parar de fumar
A procura por tratamento contra o tabagismo na rede municipal de saúde de São Paulo aumentou 257% entre 2021 e 2025. O número de atendimentos passou de 4.262 para 15.220 no período. Somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados 11.206 atendimentos.
Em cinco anos, as Unidades Básicas de Saúde realizaram 57.560 atendimentos, segundo dados da Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde. O tratamento é gratuito e inclui avaliação clínica, acompanhamento em grupo e orientações para enfrentar a abstinência, os gatilhos e a dependência física e psicológica. Quando necessário, também são oferecidos medicamentos. As unidades podem disponibilizar ainda práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), como meditação, acupuntura e auriculoterapia.
Apoio para abandonar o cigarro
Umberto Carlos da Silva, de 58 anos, parou de fumar há pouco mais de um ano após receber acompanhamento na UBS Jardim São Nicolau, na zona leste. Ele fumou durante mais de três décadas e chegou a consumir quase três maços de cigarros por dia. “Nunca é tarde para ter uma nova vida. Nos primeiros dias, até sonhava que estava fumando, mas o grupo me ajudou muito”, conta.
A farmacêutica Juliana D’Assumpção dos Santos, integrante da equipe multiprofissional da unidade, explica que o acolhimento e o compartilhamento de experiências ajudam os participantes a enfrentar as dificuldades do processo. Os pacientes podem retornar aos encontros em caso de recaída ou dificuldade para abandonar o cigarro.
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O boletim é semanal, às segundas, quartas e sextas.
Quero receber!Como funciona o tratamento
O atendimento depende da decisão do paciente de parar de fumar, é destinado a todas as faixas etárias e independe da quantidade consumida diariamente ou do tipo de produto utilizado. O programa atende usuários de cigarros convencionais e eletrônicos, além de vape, pod e tabaco mascado.
As sessões são coordenadas por profissionais de nível superior e conduzidas por equipes multiprofissionais, que podem reunir médicos, enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e dentistas.
O programa tem duração inicial de três meses, com possibilidade de acompanhamento por um ano ou mais, especialmente em casos de recaída. Durante as reuniões, os participantes aprendem técnicas para enfrentar a abstinência, identificar situações que despertam a vontade de fumar e modificar comportamentos associados ao consumo.
O atendimento segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), do Sistema Único de Saúde (SUS). A abordagem cognitivo-comportamental adotada pelo programa considera o ato de fumar um comportamento aprendido e associado a determinadas situações e emoções. O tratamento busca modificar crenças e hábitos relacionados à dependência.
Impactos do tabagismo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como uma epidemia e uma das principais causas de mortes e doenças no mundo. Mais de 8 milhões de pessoas morrem anualmente em consequência do consumo de tabaco, incluindo cerca de 1,2 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.
O tabagismo também está relacionado a mais de 90% dos casos de câncer de pulmão e a doenças como infarto, bronquite e enfisema pulmonar. No Brasil, cerca de 11,6% da população adulta fuma, segundo o Ministério da Saúde. Na cidade de São Paulo, o Inquérito de Saúde da Capital (ISA) 2024 aponta que 14,2% das pessoas com 10 anos ou mais são fumantes.