14 agosto 2026 em Cultura
Prefeitura mantém programas de financiamento, formação profissional e incentivo à produção e ao acesso à cultura
O mercado audiovisual ganhou força em São Paulo nos últimos dez anos e teve um crescimento de 176% no número anual de novos CNPJs no segmento, passando de 2.502 para 6.911. Segundo dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) consolidados pelo Data Sampa, plataforma de dados da Prefeitura de São Paulo, atualmente são 39.584 empresas ativas no setor, das quais 18.301 são Microempreendedores Individuais (MEIs).
O crescimento se intensificou nos últimos anos, com alta de 18,3% nos novos registros em 2024 e de 13,4% em 2025.
Para acompanhar esse movimento, a Prefeitura mantém ações de formação profissional, estímulo ao trabalho e à produção, circulação de obras e ampliação do acesso à cultura. A política busca fortalecer toda a cadeia audiovisual da cidade, formada por produtoras de cinema, séries e conteúdo digital, distribuidoras, agências, estúdios, empresas de dublagem e mixagem sonora e negócios de tecnologia ligados ao setor.
As iniciativas são desenvolvidas pela Spcine, empresa pública vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, e pela Ade Sampa, ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. A atuação abrange diferentes áreas, da formação e aceleração de empresas à produção e distribuição de filmes, além da atração de grandes filmagens, realização de eventos e ampliação do acesso da população ao cinema.
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Quero receber!Com inscrições abertas até 23 de agosto no site da Ade Sampa, o Amplifica Cine chega à sua quinta edição como uma das principais políticas de apoio ao empreendedorismo no setor. A iniciativa concede R$ 52 mil por empresa selecionada, além de mentorias, programas de capacitação e inserção em eventos nacionais e internacionais.
Podem se inscrever produtoras de animação, cinema, séries, podcasts e conteúdo digital, além de agências, distribuidoras e empresas de dados e tecnologia direcionadas ao setor audiovisual. A atual edição vai beneficiar até 25 empreendimentos, priorizando iniciativas vindas da periferia e comandadas por membros de grupos minoritários.
Entre os projetos já apoiados está o canal Histórias de Ter.A.Pia, que reúne mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, transformando relatos do cotidiano em conteúdo audiovisual. Idealizado por Lucas da Silva Galdino, o projeto também presta serviços de criação e produção para marcas e instituições.
Outro exemplo é o Instituto AfroRec, voltado à formação e à empregabilidade de pessoas negras no audiovisual. O instituto já alcançou cerca de 10 mil pessoas em todo o país e oferece 17 cursos e oficinas, incluindo experiências práticas em sets de filmagem.
A Monomito Filmes, produtora voltada à ampliação do acesso à produção audiovisual profissional em periferias e favelas, dobrou o faturamento após expandir suas parcerias estratégicas. Em 2023, a empresa se uniu à Haze Filmes e contratou mais de 200 pessoas no último ano.
Com mais de R$ 90 milhões investidos, os editais da Spcine já beneficiaram mais de 600 obras audiovisuais. O fomento atende a diversas fases da produção por meio de programas próprios, da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc. Os editais podem ser consultados neste site.
Investimento na formação
Outra medida para fortalecer o setor é a formação de novos profissionais. Com mais de 800 atividades, entre workshops, masterclasses, cursos e projetos de qualificação, as iniciativas da Formação Spcine já ultrapassaram a marca de 41 mil pessoas capacitadas.
Entre as iniciativas estão programas como o Formação Spcine Convida, que oferece ações gratuitas nos formatos presencial e online, e o Programa de Aprimoramento Profissional para o Setor Audiovisual Paulistano. Além disso, uma nova capacitação desenvolvida em conjunto com o m-v-f- e o YouTube está prevista para 17 de agosto. Mais informações estão disponíveis no site da Spcine.
Em parceria com o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, a iniciativa Bolsa Trabalho – Audiovisual representa outra importante frente de atuação. O programa oferece qualificação técnica e sociocultural para 100 a 120 jovens de 17 a 24 anos em condição de vulnerabilidade socioeconômica todos os anos, além de conceder um benefício mensal no valor de R$ 1.864,15.
Para dar suporte a essa formação, o Instituto Criar também disponibiliza um Estúdio-Escola com infraestrutura semelhante à de uma produtora profissional. O espaço conta com 16 oficinas, estúdios, ilhas de edição, laboratório digital, central de equipamentos para câmera e iluminação, além de salas dedicadas a figurino, maquiagem, cabelo e produção.
Cidade como cenário
A Prefeitura também atua para ampliar a presença de São Paulo como cenário de produções nacionais e internacionais. Essa é a função da São Paulo Film Commission, que tem como objetivo centralizar as autorizações para filmagens em espaços públicos municipais e articula a liberação de ruas, parques e outros locais com os órgãos responsáveis. Em 2026, o departamento completa dez anos de atividade.
Outra medida é o Cash Rebate, voltado à atração de filmagens para a cidade e o Estado de São Paulo. A iniciativa prevê o reembolso de parte das despesas elegíveis realizadas na região pelas produções selecionadas, com o objetivo de gerar empregos, estimular negócios e ampliar a presença de São Paulo no mercado audiovisual internacional.
Entre as obras relacionadas ao programa estão Beleza Fatal (HBO Max), O Negociador (Prime Video), Sutura (Prime Video), Amigos Sem Compromisso (HBO Max), Silvio (Moonshot Pictures) e Marcelo Marmelo Martelo (Paramount+).
Cinema acessível
O Circuito Spcine, rede de cinemas da Prefeitura de São Paulo, reúne 32 salas instaladas principalmente em Centros Educacionais Unificados (CEUs) e Centros Culturais. Desde sua criação, em 2016, a rede já recebeu mais de 2 milhões de espectadores.
Com ingressos gratuitos ou a preços populares, as salas oferecem exibições semanais com obras nacionais e internacionais, além de recursos de acessibilidade, como legenda oculta, janela com intérprete de Libras e audiodescrição.
A programação é diversa e inclui sessões destinadas a diferentes públicos, como o Circuitinho, voltado a famílias com crianças pequenas; o Cine Novelo, com exibições em ambiente mais tranquilo; o Spcine 60+, direcionado ao público idoso; e a Sessão Azul, com ambiente adaptado para pessoas no espectro autista.
Já na área das plataformas de streaming, a Spcine Play amplia o acesso à produção audiovisual com filmes e séries gratuitos disponíveis pelo site, aplicativo e Smart TVs em todo o Brasil.
Em diferentes partes da cidade, o Cineclube Spcine promove exibições gratuitas seguidas de debates e ações de formação de agentes locais. Ao todo, mais de 300 sessões com debates já reuniram 7.600 espectadores. A programação pode ser consultada no site da Spcine.